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Dez

Festa da Universidade Sénior acolhe palestra sobre o "Natal dos Velhos"
Cultura
Escrito por Paulo Jorge F. Marques   
Festa da Universidade Sénior acolhe palestra sobre o "Natal dos Velhos"
"O Natal dos Velhos" foi o tema da palestra que Ricardo Pocinho, assessor do Conselho Diretivo da Administração Regional de Saúde do Centro e especialista na área do envelhecimento ativo, proferiu na Festa de Natal da Universidade Sénior de Proença-a-Nova que decorreu a 13 de dezembro, coincidindo com o encerramento das aulas no período natalício. Numa apresentação bastante aplaudida, Ricardo Pocinho referiu que Natal dos Velhos é igual ao Natal de todos os outros, "só que vivido pelos velhos. E para os velhos deveria significar mais porque os velhos têm pouco tempo, ou cada vez menos tempo, para resolver os amores e desamores da sua vida". E, por isso, face à probabilidade de serem os últimos natais da vida, devem ser vividos com as pessoas de quem se gosta e a fazer o que se gosta, com momentos de reflexão e tendo sempre como fator determinante o amor.
O investigador desafiou os alunos a terem sempre capacidade de participação em atividades enriquecedoras, independentemente da idade. "O envelhecimento populacional é, do ponto de vista da demografia, um problema para o país, para a Europa Ocidental e para o resto do mundo também, mas deve ser visto só sob esse ponto de vista como um problema. Não é um problema ser-se mais velho, não é um problema viver mais anos, não é um problema viver mais tempo. Isso só se as pessoas quiserem viver a vida como um fardo. E aqueles que têm algum receio da morte é exatamente porque não gostam de viver. Quem gosta de viver, vive cada dia como uma oportunidade porque é isso que é o envelhecimento", referiu na sua intervenção.
Autor do livro "Seniores em contexto de aprendizagem: caracterização e efeitos psicológicos nos alunos das Universidades Seniores em Portugal", Ricardo Pocinho realizou um estudo para perceber se, efetivamente, as universidades seniores contribuem para o bem-estar dos seus alunos. E chegou a conclusões interessantes, que reforçam as opiniões generalizadas de quem beneficia do projeto. "Os seniores que participaram neste estudo têm índices de ansiedade e de depressão muito mais baixos, a algumas pessoas inclusivamente, com o percorrer do tempo, é-lhes retirada ou diminuída a dose para uma destas patologias, experimentam muito menos aquilo que é o fenómeno da solidão e têm uma qualidade de vida mais acrescida e mais interessante". Havendo mobilidade e funcionalidade, estímulo cognitivo e a manutenção de papéis sociais, a perspetiva de ter um envelhecimento ativo é muito maior. "Se todos os dias aprenderem uma coisa, se todos os dias fizerem uma caminhada e se todos os dias tiverem pelo menos uma refeição equilibrada, vai ser difícil chegar a velhos ainda que tenham muita idade", afirmou.
Na abertura da Festa de Natal, o presidente da Câmara Municipal de Proença-a-Nova voltou a destacar o papel fundamental deste projeto. "Bendita a hora em que decidimos criar a Universidade Sénior de Proença-a-Nova: as universidades seniores são, de facto, polos que contribuem para esse envelhecimento ativo e são fator de atratividade dos territórios, também para aqueles que estão fora e que têm aqui as suas raízes. É muito positivo que encontrem no seio da universidade a capacidade de se sentirem novamente ativos, de transmitir conhecimento e de o receber", salientou João Lobo.
A Festa de Natal incluiu ainda a palestra "Natal Pagão e Natal Cristão", por Florentino Beirão, professor aposentado e colaborador do jornal "Reconquista", que viajou pelo Natal ao longo dos séculos, desde o Império Romano passando pela Idade Média, pela Reforma Protestante, pelo Barroco, pela Modernidade, tendo acabado na contemporaneidade do "nosso" natal consumista e consumidor. Os alunos da Universidade Sénior de Proença-a-Nova dinamizaram ainda atividades cénicas, literárias e musicais, enquadradas no espírito da época.
 
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