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03

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Suicídio de jovem de 15 anos Pai quer contestar o não internamento imediato no serviço de psiquiatria
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Suicídio de jovem de 15 anos

Pai quer contestar o não internamento imediato no serviço de psiquiatria

 

Micaela Boggio Sequeira pôs termo à vida aos 15 anos. O infortúnio abateu-se sobre a família Sequeira, cuja filha, excelente aluna na escola Pedro da Fonseca, no 10 ºano de Humanidades, suicidou-se há duas semanas. Os problemas nervosos, com o aparecimento da depressão, começaram algumas semanas antes do trágico desfecho. O Pai conta que de, um momento para o outro, "começou a andar em baixo, a depressão podia ser  de há vários meses ou anos, "mas nunca suspeitámos de nada". Logo que se manifestaram os sintomas, foi medicada. Algum tempo depois tomou uma overdose de comprimidos. Levada para o Centro de Saúde de Proença, seguiu depois para o Amato Lusitano. Ali ficou uma noite onde foi "desintoxicada e limpa". No dia seguinte, o pai, António Sequeira recebe um telefonema para ir buscar a filha, que já se encontrava bem e "limpinha". Logo aí opôs-se a que a filha saísse do hospital e pediu encarecidamente que fosse internada em psiquiatria, uma vez que a depressão era grave e exigia internamento e medicamentos adequados.

Mas foi-lhe dito que não havia vaga na psiquiatria, nem psiquiatras disponíveis no momento. Mas ficou o compromisso do serviço de urgências comunicar o caso à psiquiatria que contatavam a família nos dias seguintes, para ser consultada e, possivelmente, internada. Mas até hoje a família não recebeu qualquer contato. António Sequeira diz que continua à espera. Mas hoje já não é preciso, "pois a minha menina (muito responsável e inteligente) já está debaixo da terra e bem podia ser viva". O patriarca, que quer pedir esclarecimentos ao hospital e levar o caso por diante, chora lágrimas de sangue. E não é para menos. "como é que deixam sair do hospital uma menina que tem uma depressão grave e acabava de se tentar suicidar com comprimidos"?, interroga-se. Mas não encontra resposta. Só encontra o infortúnio e a infelicidade de ter perdido a filha nestas circunstancias.

Embora contrariado, o pai trouxe a filha. Nos dias seguintes Micaela voltou à escola, embora medicada. O pai seguia-lhe todos os passos e vigiava-a. Alguns dias depois precisou de deslocar-se a Torres Novas com a mulher. Quis levar a filha Micaela. Esta não quis ir, pois alegou que tinha que estudar. Assim, retirou-se para o quarto. Em casa ficaram mais dois irmãos. Isto cerca das 15 horas da tarde. Quando regressou, de Torres Novas, às 18h30 horas, o pai perguntou pela Micaela. Os irmãos responderam que tinha entrado para o quarto e ainda não tinhas saído, nem para almoçar. Dirigiu-se imediatamente ao quarto e encontrou a filha morta-vitima de enforcamento. Os comprimidos também tinham sido tomado. Sabe-se lá se não para que o pôr termo à vida fosse mesmo efetivo: uma dose de comprimidos seguido de enforcamento. Aquele foi o momento mais terrível da vida de António Sequeira. A filha, um dos 17 irmãos, estava irremediavelmente perdida. E quem falhou? Sequeira, aponta o dedo ao serviço de urgências do Amato Lusitano que negou o internamento na psiquiatria. " Se ela tivesse lá ficado, ou seguido para o hospital de Coimbra, tinha sido tratada e ainda hoje estava viva. Mas perdi a minha menina. Se fosse ajudada ainda estava viva", lamenta, quase em choro. A menina Micaela, na pureza dos seus 15 anos, a melhor aluna da escola Pedro da Fonseca, a português e a muitas outras disciplinas, no 9º ano do ano passado. A menina que completaria o secundário com excelentes notas e teria seguido os passos de muitos dos irmãos, frequentando uma universidade pública. Estava destinada a ser advogada ou professora. Já não o será, para sempre, infelizmente!! A menina, bonita, que era adorada pelos professores e recebeu prémios de mérito.

António Sequeira lamenta que os serviços de urgência dos hospitais "querem é cada vez mais despachar os doentes, ao invés dos internar". Lamenta também o facto dos profissionais médicos não darem vazão a tantos casos, "tudo já efeitos dos cortes que o estado está a levar a cabo na saúde". Até na noite em que chegou ao hospital, entre a vida e a morte, com o estômago cheio de comprimidos, Micaela ficou na sala de espera junto com outros doentes, na maioria idosos. "Dada a gravidade do caso, podiam tê-la levado para outro lado", lamenta ainda o pai.

 

A tese de que Micaela seria alvo de bullying por parte dos colegas de escola, parece estar posta de parte. Conforma contacto que tivemos com alunos da Pedro da Fonseca, esta era respeitada e tinha tratamento igual aos restantes. Não terá havido então bullying, ou seja, ser alvo de violência física ou psicológica, intencional e repetida, que a levaria ao suicídio. No entanto, uma coisa ainda falta apurar e fá-lo-emos na próxima edição: quais as causas da depressão nervosa de Micaela? A investigação, da nossa parte, ainda não está encerrada.

 
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