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Ter

17

Set

O que falta a Portugal para ser uma economia próspera?
Opinião
Escrito por Victor Bairrada   
O que falta a Portugal para ser uma economia próspera?

 

Muitos países deparam-se com uma crise com repercussões económicas e sociais graves, falências e desemprego em crescendo, no entanto alguns países capitalistas estão a sair-se bem: o Norte da Europa, incluindo Alemanha, Holanda e Escandinávia. A taxa de desemprego na Alemanha, neste momento ronda os 5,5%

Visitando a história económica verificamos que os países inteligentes aprenderam com os sucessos das políticas levadas a cabo por outros, adaptando-as às suas realidades locais. A história do desenvolvimento económico, dá-nos variados exemplos, a Grã-Bretanha do século XVIII aprendeu com a Holanda; a Prússia de inícios do século XIX aprendeu com a Grã-Bretanha e com a França; o Japão da era Meiji de meados do século XIX aprendeu com a Alemanha; a Europa do pós Segunda Guerra Mundial aprendeu com os Estados Unidos; e a China de Deng Xiaoping aprendeu com o Japão.

As economias bem-sucedidas abriram-se ao mundo, impulsionando assim o desenvolvimento a nível mundial. Em qualquer época existem sempre oportunidades para este tipo de processos de desenvolvimento e crescimento, sendo apenas necessário que mais países empreguem tempo a aprender com os sucessos dos outros.
No Norte da Europa, países como a Alemanha, Holanda e Escandinávia. A taxa de desemprego, ronda os 5,0% e no caso dos jovens é de cerca de 8%, valor extraordinariamente baixo quando comparada com muitas outras economias de altos rendimentos.

Pergunta-se como é que esta parte da Europa o consegue? Cultura, rigor, e aplicação de políticas corretas, nestes países empregam-se políticas ativas no mercado de trabalho, incluindo horários flexíveis, programas de aprendizagem "da escola para o trabalho" (especialmente na Alemanha) e importantes programas de formação e de colocação profissional.

Da mesma forma, numa época de crises orçamentais crónicas, a Alemanha, Suécia e Suíça apresentam orçamentos praticamente equilibrados. Os três países dispõem de regras orçamentais que exigem um equilíbrio orçamental regularmente ajustado. E todos eles tomam a precaução de base de manterem o controlo das suas despesas com a Segurança Social: uma idade de reforma fixada nos 65 anos, no mínimo.


Numa época de crescentes custos com a saúde, a maioria dos países com rendimentos mais elevados - Canadá, economias ocidentais da Europa, e Japão - consegue manter os seus custos totais com os cuidados de saúde abaixo dos 12% do PIB, com excelentes resultados em termos de saúde, no caso dos EUA gastam-se cerca de 18% do PIB e com indicadores de saúde fracos. Um recente relatório apresentado pelo US Institute of Medicine concluiu que o sistema norte-americano com fins lucrativos esbanja cerca de 750 mil milhões de dólares, cerca de 5% do PIB, em desperdícios, fraude, duplicação e burocracia.

Com os preços do petróleo a disparar, alguns países conseguiram uma verdadeira eficiência energética. Os países da OCDE usam, em média, 160 quilos de energia equivalente petróleo por cada 1.000 dólares do PIB . A Suíça um país energeticamente eficiente, a utilização de energia corresponde apenas a 100 quilos por cada 1.000 dólares do PIB, e na Dinamarca consegue 110 quilos, contra 190 quilos nos Estados Unidos.

Perante alterações climáticas, vários países estão a demonstrar como se faz a transição para uma economia com baixas emissões de carbono. Em média, os países ricos emitem 2,3 quilos de CO2 por quilo de unidade de energia equivalente petróleo. Mas a França emite apenas 1,4 quilos, devido ao seu enorme êxito no desenvolvimento de uma energia nuclear segura e de baixos custos.

Na Suécia, devido à sua energia hidroeléctrica, este nível é ainda mais baixo: 0,9 quilos. E se bem que a Alemanha esteja a abandonar a produção de energia nuclear a nível nacional, por razões políticas, podemos apostar que continuará a importar energia elétrica das centrais nucleares francesas.

Os países mais desenvolvidos que associam o financiamento da Investigação & Desenvolvimento (I&D) por parte do sector privado e do sector público estão a ultrapassar os restantes. Exemplo disso a Suécia e a Coreia do Sul estão a sobressair economicamente graças à atribuição de cerca de 3,5% do PIB em I&D, enquanto em Israel esse gasto é cerca de 4,7% do PIB.

O Brasil é o recente líder, com uma marcada expansão do ensino público e um sistemático ataque aos focos de pobreza ainda existentes, através de programas específicos de transferências. Em resultado disso, a desigualdade de rendimentos no Brasil está a diminuir.

E num período de ansiedade generalizada, o Butão está a questionar-se profundamente sobre o significado e a natureza da própria felicidade. Em busca de uma sociedade mais equilibrada, que conjugue prosperidade económica, coesão social e sustentabilidade ambiental, o Butão tornou-se conhecido por procurar o aumento da Felicidade Interna Bruta em vez do aumento do Produto Interno Bruto. Muitos outros países - incluindo o Reino Unido - estão agora a seguir os passos do Butão, realizando estudos sobre a satisfação dos seus cidadãos com as suas vidas.

Os países que ocupam o pódio da satisfação com a vida são a Dinamarca, Finlândia e Noruega. Mas também ainda há esperança para quem vive em latitudes mais baixas. A tropical Costa Rica também ocupa posições cimeiras na liga da felicidade. O que podemos dizer é que os países mais felizes dão ênfase à igualdade, solidariedade, responsabilidade democrática, sustentabilidade ambiental e instituições públicas sólidas.

Assim sendo, eis uma economia modelo segundo Jeffrey D. Sachs: políticas laborais alemãs, pensões suecas, o fraco teor em carbono da energia francesa, cuidados de saúde canadianos, eficiência energética suíça, curiosidade científica norte-americana, programas antipobreza brasileiros e felicidade tropical costa-riquense.

Não é uma tarefa fácil, pois a maioria dos países não conseguirá tal meta nos tempos mais próximos. No entanto, se abrirmos os olhos para as políticas bem-sucedidas lá fora, conseguiremos seguramente acelerar a melhoria da realidade socio económica nacional. E isso consegue-se com mudança da mentalidade para uma cultura de rigor e responsabilidade por parte de todos os cidadãos, quer sejam os dirigentes, quer sejam os dirigidos começando pelos que elaboram e aplicam as leis, pelos que dirigem o estado, as autarquias, as empresas públicas e privadas as instituições privadas, todos temos responsabilidade nas decisões mais não seja quando votamos ou quando consumimos sem critério ou pouco esclarecidos. Decisões mal tomadas ou mal aplicadas tem sempre algum custo para alguém.

 

Fonte: Jeffrey D. Sachs

Victor Bairrada

 
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