Seg 08 Fev |
|
Sempre que se fala do estado do Sistema de Justiça em Portugal, por rápido se lhe aponta a lentidão, bem como a impunidade que do seu mau funcionamento se transmite à generalidade dos cidadãos, tudo desembocando, afinal, no estado moral a que se chegou. Invariavelmente, à lentidão da nossa Justiça é contraposta rapidez com que se tratou, nos Estados Unidos, o caso de Bernard Maddoff, que se viu castigado com cento e cinquenta anos de prisão. Até ver, claro está. Simplesmente, os mais atentos não terão deixado de reparar que a grave crise criada ao Mundo pelos especuladores financeiros, mormente os do espaço de língua inglesa, ninguém mais puniu a não ser aquele famigerado malandro. Percebe-se hoje bem que nem mesmo ele teria sido condenado, se não tivesse acreditado que iria ser feita justiça aos mil e um malandrins do seu quilate, e por aí tivesse exposto aos filhos e às autoridades a realidade em que vivia desde há décadas. Aliás, todos viviam. No fundo, ter-lhe-ia acontecido o mesmo que aos outros, ou seja, quase nada. Pois, entre nós, eis que as empresas do País e os bancos portugueses se recusaram a assinar o Código de Bom Governo das Sociedades. Um facto que não me causou admiração, conhecendo de há muito o modo dominador como os portugueses sabem tornear as embrulhadas. Dirão os líderes daquelas sociedades que os portugueses nada tiveram que ver com o desastre mundial que ainda nos aflige, e que, por isso mesmo, não se sentem na obrigação de assegurar, e por escrito, o tal compromisso que lhes foi proposto. Acontece, porém, que, pensando um pouco, por rápido se percebe que um seguro de compromisso moral não fica mal a ninguém e tem sempre lugar na vida de cada um, pelo que nos é legítimo fazer desta recusa uma leitura naturalmente pessimista... |
![]() |
|