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05

Jan

Querem Acabar Com o Estado Social

Escrito por Hélio Bernardo Lopes   

Hélio Bernardo LopesDe um modo que já só por teimosia ou por interesse se pode continuar a defender, a grande e evidente realidade, e já desde há muito, é que muitos dos dirigentes da nossa direita, mormente os que agora querem vir a dominar o futuro da liderança do PSD, pretendem privatizar os setores da Saúde e da Segurança Social.

Ouvimos António Nogueira Leite, e de pronto lhe escutamos sempre o mesmo discurso: gasta-se em demasia com tais setores, quando tais verbas deviam ser usadas com outras finalidades produtivas, de molde a que o País se pudesse tornar competitivo na cena internacional.

Escutamos Henrique Medina Carreira, e lá nos surge a mesma lenga-lenga de sempre: temos que deixar de gastar o que gastamos com a intervenção social, em defesa de quem se encontra em terríveis dificuldades, e cujo número não pára de crescer, nem dá mostras de o vir a fazer nos anos mais próximos.

Lemos a mais recente entrevista de um dos mitos político-sociais da nossa direita de hoje, e da comunicação social acéfala que vamos tendo, e eis que nos vem apontar os males do nosso Sistema de Justiça, que chega mesmo a apontar como sendo pior que o do tempo do Estado Novo.

Tomou posso o novo Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, em continuação do seu anterior mandato, e eis que nos propôs uma comissão, com representantes dos jornalistas e da estrutura política do Estado, com a finalidade de tratar os casos de violação deontológica dos jornalistas, numa solução que o seu colega Fisher Sá Nogueira acha poder conduzir a algum tipo de censura.

Ora, depois de tudo isto, não deixo de achar estranho que sempre se procure copiar o que existe lá por fora, por outras paragens, porque o que sempre resultou de tais cópias foi o descalabro da iniciativa.

De um modo muitíssimo geral, os grandes dirigentes portugueses não procuram resolver os problemas do País com imaginação e tendo em conta as caraterísticas culturais que são as nossas, pelo que, como sempre se tornou evidente, o País sempre se quedou na retaguarda dos povos mais desenvolvidos, mormente os europeus, cuja cauda ocupamos.

Surge uma dificuldade um pouco maior, bom, e aí nos dão a solução simplória de criar pobreza como metodologia para se sair da crise. Não são capazes de puxar pela imaginação e tentar criar um modelo, porventura usando de alguma força, mas de um modo moralmente legítimo, fazendo a justiça social ser paga por todos os que a possam pagar na proporção das suas possibilidades.

Governar desta maneira, para lá de completamente inútil, é até muitíssimo fácil, porque não há quem não consiga fazê-lo: corta-se na saúde dos portugueses e na segurança social pública, deixando os nossos concidadãos completamente à mercê da contingência e do sofrimento, e lá se consegue um ínfimo acréscimo de rendimento para uns quantos portugueses, sem que se consiga, contudo, pôr o País no tal pelotão da frente. A grande maioria dos nossos economistas sabe alguma coisa de números, e é até capaz de jogar com certos índices, mas desconhece a nossa História quase por completo.

 
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